TEXTOS

A fantástica história de Eike

07 de Novembro de 2013

Foi no carnaval de 1987 que Luma de Oliveira apareceu para os brasileiros na plenitude de sua fantástica nudez: pela primeira vez o público da Sapucaí e da TV assistiu o desfile de seus magníficos seios nus desfilando na avenida.
Ela tornou-se musa do país.
E sua história de modelo bem sucedida passou a ser referência também por seu casamento com o empresário Eike Batista, então um jovem de pouco mais de trinta anos, nascido em Governador Valadares.
Como ela, ele subiu os degraus da fama.

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Começou sua vida de negócios vendendo seguros de porta em porta e, na década de 80, enriqueceu com a comissão recebida pela venda de ouro em Mato Grosso, até adquirir uma mina com dinheiro emprestado e chegar a um patrimônio de R$ 6 milhões.
A escalada no mundo empresarial foi rápida e sem precedentes. Tornou-se em pouco tempo o homem mais rico do Brasil.
E o moço, que até então permanecera resguardado em sua privacidade, surgiu para as páginas sociais e para o palanque de autoridades.
Em 2009, Eike Batista fecha o ano com um patrimônio de US$ 7,5 bilhões. Em 2010, passa para US$ 27 bilhões e se torna o oitavo homem mais rico do mundo. Dois anos depois, sua fortuna chega a US$ 34,5 bilhões.
Ele garante que vai chegar ao topo, quer dizer, vai ser o homem mais rico do mundo e é festejado por isso. Seus negócios o tornam um pop star e a presidente Dilma Rousseff não tem dúvidas de apresentá-lo como exemplo brasileiro de empresário audacioso e bem sucedido.

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Mas eis que, de repente, sua capacidade de multiplicar dinheiro começa a se esboroar de tal forma que sua fortuna se esfarela.
Em menos de dois anos, o incrível patrimônio de US$ 34 bilhões baixou para US$ 73,7 milhões e uma de suas principais empresas, a OGX Petróleo oficializou, na última semana, o pedido de recuperação judicial (prazo dado pela Justiça para que mostre sua capacidade de honrar compromissos).
Nas demais empresas de Eike Batista, a busca é da sobrevivência, com venda de ativos, renegociação de dívidas, demissão de funcionários e corte nos investimentos.
Luma de Oliveira há muito não faz parte do mundo do empresário, envolvida em complicados e menos glamourosos romances, e um de seus dois filhos matou um ciclista com seu carro de luxo.

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Pois a ascensão e queda de Eike Batista, com todas suas implicações e exemplos jamais poderá ser contada se ele ou alguém de sua família não autorizar a biografia, a continuar em vigor a legislação atual, defendida tão tenazmente por artistas do tamanho de Chico Buarque e Caetano Veloso.
A propósito: meu amigo Madruga Duarte, competente homens de comunicação e propaganda, com atuação no Brasil e na Argentina, envia-me frase de Alfredo Leuco, conhecido jornalista portenho que trabalha no diário Perfil:
- Me gusta decir que el principal insumo del periodismo no es la noticia. Es la libertad.
Nada mais é preciso dizer.


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