TEXTOS

A inflação corroendo sonhos

14 de Novembro de 2013

Sempre tive preferência pelas ciências humanas. Aqueles que acompanham este espaço semanal sabem de minha predileção pela política. As palavras vem em primeiro lugar, os números só na medida do necessário e do indispensável.
E assim são meus sabores.
Antes o jornalismo, as ciências sociais, a literatura, o Direito; longe está a contabilidade e ainda assim quando a vida me diz que ela é inevitável.
Só a Bela Hammes, com seu talento, faz com que eu não passe impune pelas páginas de economia dos jornais.

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Pois falo hoje de números porque a Folha de São Paulo deste último final da semana publica extenso material, baseado em pesquisa da Fecomércio paulista, sobre a elevação do custo de vida e os reflexos disso no cotidiano das pessoas.
Os resultados não chegam a ser novidade para quem vai regularmente ao supermercado, como é o meu caso. Frutas (mamão, pera, maça, abacaxi) e legumes (tomate, alface, cenoura, cebola) e etc. estão com os preços nas nuvens. A pesquisa científica, portanto, veio apenas confirmar aquilo que vivenciamos no nosso dia-a-dia. O que há de novo são as consequências para os cidadãos de todas as classes sociais.

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Sim, porque a inflação está alta para todos. Nos últimos doze meses, considerando setembro a setembro, o custo de vida em São Paulo subiu entre 5,5 e 5,65% para cinco faixas de renda (de A a E). Isso se deve a uma alta disseminada de preços. Nenhuma de nove categorias de bens e serviços pesquisadas para as cinco classes sociais teve deflação.
Mais importante que os números são os seus reflexos.
A reportagem do jornal foi atrás disso.
E mostrou que está ocorrendo uma substancial mudança de hábitos. Homens e mulheres de todas as classes sociais estão dedicando mais tempo a comparar preços e substituir produtos. E a cortar gastos.
A classe média foi ao paraíso mas pode ter que voltar, disse Jorge Arbache, professor e economista do BNDES. E explicou: as conquistas sociais só perduram com competitividade e mais investimento.
A classe média já está voltando e os exemplos são múltiplos: as viagens aéreas estão sendo substituídas pelo retorno ao ''busão''; boa parte das donas de casa está demitindo as babás e cortando o balé das crianças; já não se vai ao restaurante como antes; as viagens de cruzeiros foram reduzidas à metade.

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Ainda a propósito de cifras e do texto da última semana, sobre a ascensão e queda de Eike Batista, recebi inúmeras manifestações de leitores, entre elas uma boa reclamação. Enio Rogério Albino Ramos indaga por que não citei o pai do milionário brasileiro, Eliezer Batista, que foi ministro das Minas e Energia e por que não referi os benefícios obtidos por Eike junto a governos.
Aí está uma prova a mais de como é importante uma biografia para contar a história toda, independente de autorização prévia.


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