TEXTOS

Dúvidas e certezas do mensalão

20 de Novembro de 2013

A ilustração de capa da revista Veja do fim de semana não se concretizará na prática. É um exagero. José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino não serão vistos atrás de grades em fotos reais, como insinuou a publicação, porque as penas a que os três foram condenados no processo do mensalão vão ser cumpridas em regime semi-aberto.
Quer dizer: eles poderão trabalhar durante o dia e recolher-se à noite a locais pré-determinados, como centros de recuperação, e não em cadeias gradeadas.
Excessos têm sido cometidos e não apenas por uma parte da imprensa: aliados e adversários dos petistas têm repercutido a detenção dos condenados com extrema virulência, em especial nas redes sociais.

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Vejamos algumas das questões que mais tem suscitado comentários.
Houve ou não o mensalão?
Num primeiro momento, o próprio presidente Lula se disse traído pelos companheiros. Mais tarde, ele voltou atrás. E diante da comprovação de repasse de dinheiro, foi dito que se tratava de recursos de campanha. E é impossível, convenhamos, que todos os ministros do STF tenham se equivocado, alguns deles nomeados por Lula e Dilma e sabidamente vinculados, até então, ao PT.
José Dirceu foi condenado sem provas?
Não há prova concreta de que ele tenha dado ordens a seus subordinados para a prática dos crimes. Houve testemunhos, apenas, nesse sentido, mas é inegável que o Chefe da Casa Civil foi o grande articulador político do partido, antes e depois da vitória de Lula. Nada acontecia de importante sem o seu Ok. É o que disse Roberto Jefferson e é o que todos sabiam.

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Houve pressão da mídia?
Pode ter havido, mas ela não foi determinante para a decisão dos ministros. Os votos infringentes foram aceitos, apesar de a grande maioria da população brasileira ambicionar o contrário e a mídia tenha feito o seu papel, ao explicitar esse pensamento.
As penas foram exageradas?
Para um país acostumado à impunidade, a resposta pode ser sim. Se comparados a outros episódios de corrupção - Fernando Collor e Paulo Maluf, para citar apenas dois - há uma evidente distância. Mas era indispensável que acontecesse essa primeira vez.

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Acusa-se o presidente do STF, Joaquim Barbosa, de ter sido midiático, por ter ordenado a detenção dos mensaleiros no feriadão da República. Pode ser. Há quem veja isso por outro ângulo: o simbolismo de um novo tempo.
Aliás, a apresentação à Polícia dos réus, amplamente divulgada, teve os principais atores fazendo gestos simbólicos de resistência e insistindo numa tese: somos presos políticos.
Não, não se pode considerá-los detidos por suas ligações políticas com o Partido dos Trabalhadores, aquele, aliás, que está no comando da Nação há onze anos.
Quanto ao país, que ele continue avançando em termos de ética e responsabilidade.


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