TEXTOS

O circo, os protestos, o voto

02 de Janeiro de 2014

Está começando um ano de extremo interesse para nós, brasileiros. Dois acontecimentos em especial vão nos mobilizar: a Copa do Mundo de futebol e as eleições de outubro, para escolha do presidente da República e de governadores, além de representantes nas Assembléias dos Estados, Câmara dos Deputados e Senado Federal.
Não é pouca coisa.
Tem muito circo, e não sou contra ele.
Gosto de assistir pela TV a um grande jogo de futebol, sem concordar com os absurdos que se cometem em nome dele.
Não é por nada que os protestos do ano passado tiveram nos gastos inexplicáveis com a Copa uma de suas razões.
Como entender a construção de estádios ''padrão Fifa'' onde nem sequer existem clubes de expressão, como é o caso das Arenas do Pantanal e da Amazônia?

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Recebi, a propósito das depredações ocorridas durante os manifestações de junho, pesquisa realizada pelo Instituto Methodus, no Rio Grande do Sul, gentileza da supervisora Flávia Scheffer.
É interessante saber o que pensam os gaúchos.
Dos entrevistados, 92,3% não concordam com as depredações e classificam esses manifestantes da seguinte forma: são criminosos que se aproveitam do momento para roubar e saquear (63,9%); pessoas ligadas a movimentos anarquistas (31,1%); ligadas a partidos políticos (26,9%) e pessoas que agem sozinhas e só se reúnem no momento de depredar (22,1), além de outros 10,1%. Respostas múltiplas, claro.
Quanto a punições para os depredadores: 50,8% querem prisão; 21,4%, detenção; 12,3%, advertência; 7%, pagamento pelos estragos causados e 6,7%, realização de trabalhos comunitários, além de outros 2,7%.
Finalmente, 85,9% dos gaúchos são a favor da proibição do uso de máscaras durante as manifestações. E o mais importante: 62,3% não sabem o que são os Black Blocs e apenas 37,7% responderam conhecer ou já ter ouvido falar.
É bom procurar saber um pouco mais, porque eles estarão de volta às ruas, durante a Copa do Mundo, como já anunciaram nas redes sociais.

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Manifestar-se democraticamente nas ruas, como ocorreu no início dos protestos, é um instrumento de pressão extremamente válido.
Mas, atenção.
Se se quiser que as vontades expressas dessa forma tenham resultados efetivos, é bom pensar desde já sobre como votar em outubro. Nem todas as candidaturas estão definidas, é certo, mas também é correto listar desde agora aqueles que estão aí na vida pública, alguns há muitos e muitos anos, e não devem merecer o seu voto.
Também é bom lembrar que foi com pão (Bolsa Família?) e circo que os Césares mantiveram durante largo tempo o domínio sobre seus súditos, no Império Romano. Até que tudo esboroou-se.
Não deixemos que se esboroem em definitivo as nossas esperanças, por mais descrentes que se esteja com os rumos do país.
O grande instrumento democrático para isso é exatamente o voto consciente e responsável.


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