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Os novos e insossos partidos

13 de outubro de 2011

Bem mais do que todos esperavam e a maioria supunha: o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acabou nascendo com nomes e números expressivos. No último dia de filiações – sexta-feira, 7 de outubro de 2011 – o ex-todo poderoso presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, assinou ficha no partido. E não foi só. Conforme o secretário geral do PSD, Saulo Queiroz, 630 prefeitos e 6.000 vereadores em todo o Brasil se filiaram ao novo partido.
É um tanto surpreendente, sim.
No Rio Grande do Sul, um deputado – o ex-goleiro do Grêmio, Danrlei de Deus, eleito pelo PTB – vai comandar o partido. E, só em Porto Alegre, conquistou três vereadores.
Há quem minimize isto tudo. Mas é bom lembrar: Meirelles será referência, sempre que se falar em políticas econômicas, é um nome, portanto, de peso; Danrlei fez mais de 130 mil votos na sua primeira eleição, e três vereadores formam uma bancada que precisa necessariamente ser considerada em Porto Alegre.
A justificativa da grande maioria dos políticos que migraram para o PSD é o fato de se sentirem pouco à vontade em seus partidos de origem, em especial por não terem o espaço que imaginavam. É o caso de Henrique Meirelles, preterido por Michel Temer e o PMDB, na sua ambição de ser vice-presidente da República da presidente Dilma Roussef.
Danrlei de Deus foi explícito: ''O que me levou a mudar foi principalmente a possibilidade de ter independência e uma voz ativa nas decisões. A possibilidade de o partido te dar liberdade para votar sim ou não, de acordo com a sua cabeça, é importante''.
Nenhuma preocupação com ideologia, portanto. O que, convenhamos, está de acordo com a falta de ideário do PSD. O próprio Kassab foi claro, ao expor o que o partido seria: nem de direita, nem de esquerda, nem de centro. Anódino.
O partido tem uma bandeira, sim, mas de muito difícil aprovação pelo atual Congresso: a convocação de uma assembléia constituinte exclusiva, para rever dispositivos da ''Constituição Cidadã'', de 1988. A idéia, a ser transformada em Proposta de Emenda à Constituição (PEC), é a eleição de 250 parlamentares exclusivos para, em dois anos, promover essa atualização da Carta Magna.
Na mesma data do nascimento do PSD, formou-se um outro Partido, o PPL, ou Partido da Pátria Livre. É a 29°. sigla com registro na Justiça Eleitoral.
Sua origem é o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), grupo que se notabilizou por combater o Movimento Militar de 1964 e que, nas últimas décadas, foi um braço peemedebista do ex-governador Orestes Quércia.
O partido integra a base do Governo Dilma e também não se define ideologicamente. Nem à direita nem à esquerda ''Somos a favor da pátria livre'', diz o presidente Sérgio Rubens Torres, ex-participante da luta armada.
Assim frutificam os novos partidos no Brasil. Sem projetos de país, portanto sem perspectiva de mudança.
São seres anódinos, amorfos. Insossos.