TEXTOS

Ministros? Que ministros?

08 Dezembro de 2011

Leônidas Cristino e Afonso Florence.
Conhece esses nomes, caro leitor?
Sabe quem são e o que fazem?
Não importa. Também eu os desconhecia, é quase impossível se ter na memória os nomes de todos os ministros da presidente Dilma Roussef.
Esses dois cidadãos e alguns outros mais estão aparecendo agora porque há especulações naturais sobre a reforma ministerial anunciada para o início do próximo ano.
Leio muito jornais e revistas, procuro estar sempre atento ao noticiário do rádio e TV, obrigação de todo jornalista profissional.
Não recordo de ter lido ou ouvido alguma notícia sobre a atuação desses dois homens. Nem poderia.
Afonso Florence, ministro do Desenvolvimento Agrário, não é do ramo, e o que se diz é que o INCRA e a Secretaria-Geral da Presidência, sob o comando do poderoso Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, são os que mandam na área.
Leônidas Cristino é Ministro dos Portos. Sim, dos Portos. Convenhamos: desde que Juscelino Kubitschek, para incentivar a indústria automobilística, estabeleceu a rodovia como prioridade do transporte no país – e todos que se seguiram a ele rezaram pela mesma cartilha - o que pode fazer um ministro dos Portos?
Poderia ter sido testemunha do documento que deve possibilitar a revitalização do cais de Porto Alegre.
Andar de catamarã, talvez. Porto Alegre-Guaíba, a travessia. Porque a duplicação da ponte, essa é outra história. O nosso por do sol é mesmo lindo, um passeio que certamente ele não esqueceria.
Voltemos à reforma ministerial.
Não há dúvida que a presidente da República é uma eficiente administradora, alguns falam nela como uma grande gerente. Ela sabe, por isso, que é impossível governar e despachar com quase quarenta ministros, entre aqueles que realmente o são e as secretarias com ''status'' de ministério. O que é uma bobagem. Cargo não faz a biografia de ninguém. Ao contrário. Quem é competente faz da atribuição um grande cargo.
A dúvida é saber até onde pode ir a presidente. Prevalecesse a sua disposição, certamente metade dos atuais ministérios seriam extintos, agrupados, fundidos.
Acontece que ela herdou uma estrutura viciada, com o loteamento escandaloso de ministérios e cargos entre os partidos que apóiam o governo. E não pode, de um dia para outro, dizer que a secretaria tal não existe mais. O que fazer dos apaniguados deste e daquele partido e seus feudos privilegiados?
Estou curioso com o que vai de fato acontecer. Porque me parece ter chegado, para a Presidente da República, a hora do seu grande desafio.
Até hoje, ela administrou, com alguma eficiência política, um ministério herdado do seu antecessor. E não havia como ser de outra forma. Afinal, Lula foi quem a escolheu e a fez Presidente. Não é pouco.
Dependesse da minha opinião, haveria, sim, uma grande reforma ministerial. E que, a partir dela, identificássemos, eu e todos os brasileiros, quem são mesmo os ministros e o que eles fazem.