TEXTOS

O dramático estado da saúde (II)

22 de Dezembro de 2011

O comentário sobre a saúde do país, na ultima semana, gerou inúmeras manifestações e pelo menos dois dramáticos desabafos.
O primeiro é do jornalista e escritor gaúcho Carlos Fernando Karnas, radicado na cidade paulista de Caçapava:

Tua indignação se iguala a da maioria da população. Reveses da vida, nos últimos quatro anos, fazem-me sustentar a minha saúde dependendo unicamente do sistema SUS e das emergências de pronto socorros públicos. Sujeito-me, impotente ao tentar encarar o sistema. Levei 11 meses para conseguir uma consulta oftalmológica. Espero há 15 meses, e sem data definida, cirurgia de catarata. A cegueira avança dramaticamente. Aguardo 5 a 6 meses atendimento médico generalista que sempre nos joga numa burocracia implacável e interminável. Necessito fazer outras duas cirurgias e uma biópsia (laudo descoberto esta semana). A previsão de atendimento para a contraprova do laudo inicial é dezembro de 2012. Minha observação, nas idas e vindas a postos de saúde e de atendimento, ao ver, ouvir e me identificar com uma população sofrida e desamparada é, justamente, de indignação, revolta e lamento. As ações como cidadão, de questionar e apontar tamanha desassistência e descaso caem na vala comum, sem resultados práticos.Estou jogado nessa desestabilização monumental. A esperança está jogada para baixo da sola do sapato. E o naufrágio da velhice faz a água borbulhar à nossa volta. Fico sempre a imaginar o grau de sofrimento e de angústia daquelas pessoas que estão em pior estado ou situação do que a minha. A tristeza e a desesperança são inevitáveis. C'est la vie. Teu artigo é pontual, preciso, necessário e importante.

E nem sempre ter plano de saúde particular resolve. Este depoimento é de Gessi Marques de OIiveira, de Candelária:

No dia 29 de janeiro de 2010 meu filho se acidentou, teve traumatismo craniano (caiu do cavalo) enquanto trabalhava no município de Rio Pardo. Veio para Candelária e, quando chegamos no HC, às 12:15, constatou-se que ele precisava ser transferido numa ambulância com UTI. Perdemos a vaga conseguida no Pronto Socorro e no Cristo Redentor e em Estrela, porque a ambulância só chegou às 17:30. Fomos a Santa Maria por estrada de chão, pois não tinha ponte, e quando chegamos era tarde demais, às 20:30 horas ele faleceu
Esta dor é muito grande para os pais que perdem seu único filho, com 34 anos, trabalhando, tendo um plano nacional de saúde particular e não ser atendido. Há vários anos luto como membro do Conselho Municipal de Saúde, para o povo ter um atendimento melhor e não consegui nada, nem pelo convênio, nem Sus e nem particular, ficando a culpa de não ter feito nada pelo meu filho que agonizou por cinco horas à espera da ambulância com UTI
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