TEXTOS

Pondé, o filósofo provocador

14 de Julho de 2011

O filósofo Luiz Felipe Pondé tem uma vasta bibliografia e, entre outras tantas ocupações, é colunista da Folha de São Paulo. Trata-se de um dos mais importantes intelectuais do Brasil moderno, concorde-se com ele ou não.
Pondé foi o palestrante, na última segunda-feira, do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre. Fui ouví-lo ainda tendo presente o seu comentário na Folha daquele mesmo dia. Começa assim:
''Humildemente confesso que, quando penso a sério em mulher, muitas vezes penso nela como objeto (de prazer). Isso é uma das formas mais profundas de amor que um homem pode sentir por uma mulher.
E, no fundo, elas sentem falta disso. Não só na alma como na pele. Na falta dessa forma de amor, elas ressecam como pêssegos velhos. Mofam como casas desabitadas. Falam sozinhas.''
Ora, o público do Fronteiras é predominantemente feminino. E fiquei a cismar sobre a reação dessas mulheres, muitas delas tendo lido, com certeza, a crônica de Pondé.
O auditório estava impaciente.
Antes mesmo da canja musical do professor Paulo Inda, interpretando Bach ao violão, começaram as palmas pelo palco vazio.
E quanto Luiz Felipe Pondé começou a dissertar sobre o tema de sua palestra – Seria o pessimismo mais inteligente? – e logo iniciaram suas tiradas bem humoradas, o público o recebeu com risos, para ao final aplaudi-lo com entusiasmo.
A palestra foi uma aula. Com enorme capacidade de comunicação e excelente didática, foi logo justificando a pergunta: o pessimismo nasce do fato de que a grande maioria dos intelectuais só sabe falar em desgraça.
Sempre citando exemplos práticos e dados de realidade, Pondé fez um passeio pela história da filosofia. Citou os grandes nomes do pensamento filosófico, explicando em poucas palavras a essência do que disse cada um, e adequando-os ao nosso dia a dia.
''Pessimismo'' e ''otimismo'', para ele, apresentam dificuldades por não serem conceitos, são termos escorregadios que podem ter muitos significados. Os avanços do mundo acontecem porque grande parte de filósofos, escritores e cientistas continuam a ser pessimistas. ''Quando você encontra uma pessoa que sempre está alegre, você se pergunta se ela sabe o que está realmente acontecendo à sua volta'', ironizou.
O pessimismo, então, seria mais inteligente?
Refletindo sobre pessimismo–otimismo no mundo ocidental, lembrou que a esperança é essencial para os seres humanos. O pessimismo seria a consciência, a dúvida. Mas, se alguém duvida demais, paralisa. Em momento de muitas evoluções técnicas, é importante ter consciência de que os avanços não são só fruto da nossa capacidade de criar. São fruto também da dúvida em relação a essa criatividade.
Enfim, bela palestra, filha da inteligência e do talento.
Imagino que muitos, ao final, lembraram outra provocação do texto de Pondé na Folha:
''Mas, falando sério, desconfio de homens que não pensam em mulheres como objeto. Pior, são uns bobos, porque, entre quatro paredes, elas adoram ser nossos objetos e na realidade sofrem, porque a maioria dos caras hoje virou ''mulherzinha'' de tão frouxos que são''.