TEXTOS

O crime de Caxias e a nossa impunidade

02 fevereiro de 2012

O assassinato do empresário Gilson Fernandes (44 anos), do seu filho Vinicius (14), e de mais outro menino, amigo do filho, Germano Ioris de Oliveira (13), em Caxias do Sul, é um dos mais hediondos crimes destes últimos anos em terras do Rio Grande.
Foi há uma semana e, depois dele, tenho ouvido e lido muitas opiniões sobre a necessidade de se instituir a pena de morte no Brasil.
Tenho uma opinião muito clara sobre isso, alicerçada pela experiência adquirida ao longo dos anos, no exercício da minha atividade profissional e na observação de fatos da vida: vivemos num país de absoluta impunidade e esse é um dos nossos maiores males.
Há exemplos de toda a ordem, em países mais e menos desenvolvidos que o Brasil, sobre os bons resultados alcançados em países onde as penalidades impostas a infratores e criminosos são bastante mais rígidas do que essas do Código Penal brasileiro.
A começar pelo medo. Se o criminoso tem consciência de que sua vida não será nada fácil depois de cometer um assassinato ou qualquer outro crime grave, ele vai pensar duas vezes antes de praticá-lo.
Esse caso de Caxias do Sul dá muito que pensar.
Responda a esta pergunta, caro leitor: qual a pena adequada e justa para esses dois homens que não se limitaram a tirar a vida do empresário - talvez desafeto de ambos - mas também assassinaram duas crianças que nada deviam a ninguém.
Uma coisa é absolutamente certa: a legislação brasileira não lhes vai impor o castigo que merecem. No máximo 30 anos de prisão, com provável redução da pena, caso tenham bom comportamento no presídio.
Talvez nem isso, se forem capazes de contratar bons advogados. Lembram de Pimenta Neves, aquele jornalista então diretor de redação do jornal Estado de São Paulo, que matou covardemente sua namorada e que só foi preso há poucos dias, depois de anos e anos de liberdade
Sim, ele teve bons juristas a protelar indefinidamente o cumprimento da pena que lhe foi imposta.
Talvez fosse o caso de pena de morte, neste crime de Caxias do Sul.
Como tenho muito medo de um castigo assim tão radical – os exemplos de injustiças cometidas ao longo da história nesta hipótese também são muitos – creio que é possível dizer sem medo de errar que os assassinos da serra gaúcha merecem pena perpétua e toda sorte de privações.
O que não pode continuar é essa absurda impunidade brasileira.


ARTIGOS 2012
mais artigos >>>

Uma previdência mais ajustada

Os estranhos ministros sem função

Meus sonhos e o Francesco trapalhão

O povo e os bons índices de Dilma

O crime de Caxias e a nossa impunidade

A preocupante greve baiana

Deixar a Grêcia morrer?

A tentação irresistível de censurar

Enfim, emoção nas eleições

Uma previdência mais ajustada

Uma previdência mais ajustada

E não se cassa mais ninguêm

A êtica do mercado da fraude

A oposição que não se ajuda

O fascínio de fazer jornal

O poeta, o processo e o mensalão

A perigosa jogada de Cristina

Meritocracia e bico, por que não?

Hora de pensar sem provincianismo

CPI ou apenas mais uma novela ?

Não pode ser ideia de Lula

O vexame de um acordo espúrio

Conversas nem tão republicanas

Armadilhas à espera do pesquisador

CPI ou mais uma novela? (II)

O incrível acordo paulista

E a êtica do Senado Federal?

O Rio dos meus encantos

Sai Demóstenes, entra o "mensalão"

Lições de um mestre do jornalismo

O STF e a opinião pública

Dúvidas e certezas do mensalão

A oratória e o destino do mensalão

Enquanto não existir cidadania

A censura interesseira

A esperada postura dos ministros

A democracia, de Todorov a Rui Falcão

O Caso Kliemann, meio sêculo depois

A denúncia de Marcos Valêrio

Escolha bem, com responsabilidade

Para não perder a esperança

O "mensalão" e as eleições municipais

Os protestos do povo argentino

O recado muito claro do Supremo

Lula, o fenômeno político

Obama, a vitória de um líder

Mia Couto, o conferencista

Os novos tempos do STF

Somos nós os mequetrefes

Limites do jornalismo e do poder

Para não esconder a história

O "mensalão" ainda não terminou

Dois nomes políticos