TEXTOS

Hora de pensar sem provincianismo

03 de Maio de 2012

No centro do palco repaginado do Salão de Atos da UFRGS, em destaque, o logotipo do Fronteiras do Pensamento.
E quando o indiano Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia de 1998, foi anunciado como primeiro conferencista da edição deste ano do Fronteiras, centenas de homens e mulheres o aplaudiram. Todas as 1.300 cadeiras da plateia estavam ocupadas.
Durante quase uma hora, com o jeito sereno de quem tem saber, ele discorreu sobre aspectos filosóficos e econômicos da realidade do mundo de hoje, embasando suas reflexões a partir de comentários sobre o pensamento de nomes clássicos: de Marx a Adam Smith, de Rousseau a Kant.
“Justiça, esperança e pobreza” foi o título e foram as palavras chaves de sua palestra, temas aos quais ele dedicou, aliás, toda sua vida e sua obra.
Amartya é um dos criadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – estatística composta a partir de dados relativos à expectativa de vida ao nascer, educação e PIB per capita – e recebeu o Nobel por seu trabalho sobre a economia do bem estar social.
Ele fez elogios aos brasileiros, pelo exemplo de país capaz de obter conciliação entre rápido crescimento econômico e desenvolvimento social:
- O Brasil encontrou uma maneira de fazer com que o crescimento fosse compartilhado amplamente pela população.
Falou também sobre a inserção do nosso país entre as grandes potências e destacou as diferenças existentes, ao falar sobre os Brics. Embora a China mostre números expressivos em saúde e educação, isso não é tudo. Há outros valores essenciais, como liberdade de expressão e democracia:
- A China executa (pessoas) em uma semana mais do que a Índia executou desde a sua independência, em 1947.
Iniciou sua palestra falando sobre a questão essencial da justiça e das desigualdades citando Martin Luther King Jr.: quando empreendeu a luta sobre as injustiças contra os negros nos Estados Unidos, ele estava, na verdade, defendendo quem sofria de pobreza e discriminação no mundo inteiro.
Esta é uma visão muito clara de Amartya: a injustiça que acontece no exterior nos importa, sim. A todos os povos, de todos os continentes.
Também refletiu sobre o papel que deve exercer o Estado em relação à qualidade de vida das pessoas, quando há crescimento econômico:
- Essa conexão estava clara para Adam Smith. É necessário mais do que o mercado para que a economia e a sociedade sejam bem-sucedidas.
O crescimento gera mais dinheiro nas mãos do governo e este tem o dever de tornar-se mais atuante em favor do cidadão.
- Muitas vezes estamos presos a uma forma provinciana de pensar. - ponderou Amartya.
É a isso que se propõe o Fronteiras deste ano: trazer a Porto Alegre alguns dos melhores representantes do pensamento moderno, para que possamos refletir em conjunto sobre questões fundamentais, como liberdade, desenvolvimento, diversidade e tolerância, num mundo ainda muito marcado pela pobreza e pela desigualdade.


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