TEXTOS

CPI ou mais uma novela? (II)

14 de Junho de 2012

Há pouco mais de um mês, na instalação da CPI de Carlinhos Cachoeira, dei a este comentário semanal o título de CPI ou mais uma novela?
Não me enganei.
A cada novo rol de inquirições e depoimentos, acontece um capítulo novelesco.
O depoimento do próprio Carlinhos Cachoeira foi uma ópera bufa, se é que pode se chamar de depoimento a repetição, a cada pergunta, de uma só resposta: reservo-me o direito constitucional de permanecer calado.
Terça-feira e ontem, dois novos capítulos: primeiro, o depoimento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
Ontem, a vez do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiróz (PT).
A menos que ocorra alguma surpresa no final da sua manifestação (escrevo este texto no meio da tarde), o testemunho dos jornalistas presentes na sala onde funciona a CMPI de Carlinhos Cachoeira é um só: houve ''acordão'' entre PSDB e PT para não fustigar em demasia os dois governadores, pelos parlamentares partidários de um e de outro.
Tanto Marconi Perillo quanto Agnelo Queiróz mostraram-se seguros em suas falas iniciais. Os analistas políticos especulam que Perillo deixou a CMPI, depois de oito horas, engrandecido em relação ao momento em que lá chegou.
Foi convincente, respondeu a perguntas com segurança, estava sem dúvida muito bem preparado, e o mesmo se pode dizer de Agnelo Queiróz.
Ambos se manifestam perseguidos e injustiçados.
É sabido que, no caso de Perillo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não o perdoa por ter ele dito publicamente que alertou Lula da existência do ''mensalão'', antes mesmo que este fosse denunciado pela imprensa.
Nada deve acontecer aos dois governadores. Ambos têm sólida maioria nas respectivas Assembléias Legislativas e qualquer iniciativa no sentido de puni-los seria facilmente derrotada.
Mas restou uma casa no meio do caminho, tanto para um quanto para o outro. Perillo vendeu uma, Agnelo comprou outra.
Soa muito estranho o que foi dito por ambos.
Perillo pôs à venda uma casa de sua propriedade, a casa onde mora hoje Carlinhos Cachoeira, comprada inicialmente por outro empresário. O governador informa que fechou o negócio por um millhão e 400 mil reais, tendo recebido três cheques do comprador. E garante que sequer teve curiosidade de ver quem havia assinado os cheques. Ora, convenhamos que isso é uma coisa pouco explicável.
Já Agnelo Queiróz comprou a casa onde reside hoje por R$ 400 mil reais, um número bem abaixo do valor de mercado. E ontem, declarou à CPMI que não sabe dizer quanto vale a casa de sua propriedade. ''Não sou corretor'' Isso também é coisa difícil de entender.
Eu não deixaria nunca de examinar com cuidado os cheques de uma eventual venda de meu apartamento. E tenho dimensão exata do quanto ele pode valer.
Ou será que governadores têm outra forma de fazer negócios?
Sim ou não, tudo está mais para novela do que para CPI.


ARTIGOS 2012
mais artigos >>>

Uma previdência mais ajustada

Os estranhos ministros sem função

Meus sonhos e o Francesco trapalhão

O povo e os bons índices de Dilma

O crime de Caxias e a nossa impunidade

A preocupante greve baiana

Deixar a Grêcia morrer?

A tentação irresistível de censurar

Enfim, emoção nas eleições

Uma previdência mais ajustada

Uma previdência mais ajustada

E não se cassa mais ninguêm

A êtica do mercado da fraude

A oposição que não se ajuda

O fascínio de fazer jornal

O poeta, o processo e o mensalão

A perigosa jogada de Cristina

Meritocracia e bico, por que não?

Hora de pensar sem provincianismo

CPI ou apenas mais uma novela ?

Não pode ser ideia de Lula

O vexame de um acordo espúrio

Conversas nem tão republicanas

Armadilhas à espera do pesquisador

CPI ou mais uma novela? (II)

O incrível acordo paulista

E a êtica do Senado Federal?

O Rio dos meus encantos

Sai Demóstenes, entra o "mensalão"

Lições de um mestre do jornalismo

O STF e a opinião pública

Dúvidas e certezas do mensalão

A oratória e o destino do mensalão

Enquanto não existir cidadania

A censura interesseira

A esperada postura dos ministros

A democracia, de Todorov a Rui Falcão

O Caso Kliemann, meio sêculo depois

A denúncia de Marcos Valêrio

Escolha bem, com responsabilidade

Para não perder a esperança

O "mensalão" e as eleições municipais

Os protestos do povo argentino

O recado muito claro do Supremo

Lula, o fenômeno político

Obama, a vitória de um líder

Mia Couto, o conferencista

Os novos tempos do STF

Somos nós os mequetrefes

Limites do jornalismo e do poder

Para não esconder a história

O "mensalão" ainda não terminou

Dois nomes políticos