TEXTOS

Sai Demóstenes, entra o ''mensalão''

12 de Julho de 2012

Não poderia ser diferente.
Ontem foi o capítulo final de uma novela com fim anunciado e previsto. O senador Demóstenes Torres, agora ex, arrastava-se, nos últimos dias, pelos corredores e pela tribuna, em patéticos discursos para plenários vazios.
Nada mais previsível de que ele fosse cassado por uma larga maioria.
Abandonou-se, ele próprio, à sua sorte, na medida em que exagerou no tamanho das suas vinculações espúrias. E cometeu um erro político imperdoável: enganou seus colegas senadores, ao mentir da tribuna, provocando uma solidariedade equivocada.
Demóstenes foi dramático e teatral no seu último discurso no plenário do Senado, ontem. Apelou até a Jesus Cristo. Mas não foi suficiente. O resultado final apontou 56 votos a favor da cassação, 19 contra e 5 abstenções.

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E agora, José?
Agora é a vez do ''mensalão''.
Preparemo-nos. Vem aí emoções para todos os gostos.
Difícil qualquer previsão sobre o que vai ocorrer.
Palpita-se e muito. Tenho ouvido e lido um pouco de tudo nos últimos tempos. Tem gente que assegura qual será e aposta no placar da votação dos eminentes ministros. Seis a cinco?
Mas há vozes respeitáveis a pedir calma e prudência. Ouvi, há poucos dias, um debate entre professores e operadores do direito, alertando para a complexidade do processo.
Um processo desse porte – o maior da história do Supremo Tribunal Federal – é de resultado, pelo menos para mim, imprevisível.
Além do inquestionável e obrigatório saber dos integrantes do Supremo, vão atuar alguns dos maiores nomes da advocacia do país, na defesa de seus clientes mensaleiros.
É inevitável que ocorram manobras jurídicas protelatórias, há prazos que se esgotam, há ministros que ingressam na compulsória, e há pressões de toda a sorte.
Não há como desconhecê-las.
Se o ex-presidente Lula, ainda sob os efeitos do tratamento doloroso a que se submeteu para curar-se de um câncer, fez o que fez, indo ao encontro do ministro Gilmar Mendes, para pressioná-lo – uma atitude não republicana jamais imaginada – é fácil supor o que está acontecendo nos bastidores e o que ainda está por vir.
O julgamento será técnico, mas será político, também.
Imagine-se o sentimento de cada um dos ministros.
Todos têm consciência do momento histórico em que vivem, depois de terem sido escolhidos por presidentes deste ou daquele partido.
Não esquecer que, seja quem for que os tenha indicado, não existe, teoricamente, nenhum compromisso de qualquer espécie. Estão em cargos vitalícios, inamovíveis, podem decidir conforme sua consciência.
Sabem que os olhos da Nação estão voltados para o prédio vetusto do STF, a partir de agora. E que a história os julgará. Para o bem ou para o mal.


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Sai Demóstenes, entra o "mensalão"

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