TEXTOS

A democracia, de Todorov a Rui Falcão

06 de Setembro de 2012

Tzvetan Todorov é filósofo, linguista e historiador. Natural da Bulgária, tornou-se cidadão da França, onde está radicado desde 1963, e é um dos mais respeitados intelectuais da atualidade.
Foi ele o palestrante do Ciclo Fronteiras do Pensamento desta semana, em Porto Alegre e fez aqui o lançamento mundial de seu livro mais recente, Inimigos Íntimos da Democracia.
Centrou sua conferência na tese do que ele denomina de ''messianismo político'', identificado com aqueles que pretendem implantar a democracia e os direitos humanos ainda que seja por meio da força e da dominação de países estrangeiros e a implementação de governos dóceis, como no Iraque, no Afeganistão, na Costa do Marfim e na Líbia.
Explicou as origens desse messianismo, herança de um similar cristão mais antigo:
- É um postulado segundo o qual podemos alcançar todos os objetivos políticos e culturais, sejam eles quais forem, desde que tenhamos os meios apropriados à disposição – explicou ele.
Esse messianismo teve início na Revolução Francesa e suas consequências, como as guerras napoleônicas que liquidaram com a Europa e as guerras coloniais, que tinham por objetivo levar a outros povos os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.
Depois disso veio o comunismo, com a idéia de eliminar a burguesia:
- Como todo messianismo, o comunismo acredita que a história tem uma direção definida e imutável.
Nas muitas entrevistas que concedeu, Todorov falou sobre sua obra que inclui mais de 20 livros, traduzidos para 25 idiomas e, em especial, sobre o que foi lançado em Porto Alegre, no qual ele analisa a democracia nos tempos modernos e seus riscos.
Situa o problema nos países da Europa e da América do Norte, onde os regimes, segundo ele, estão ameaçados por inimigos externos, como o fascismo ou o comunismo do século 20 e por ''inimigos que vêm do próprio interior da democracia, que são de algum modo suas perversões''.
Dá o que pensar.

+++


A propósito de inimigos da democracia: é fantástica a declaração do sr. Rui Falcão, presidente nacional do PT, sobre a condenação do deputado João Paulo Cunha pelo Supremo Tribunal Federal, por envolvimento com o ''mensalão''.
Ele diz que isso é ''um golpe'' daqueles que perderam as eleições presidenciais e, claro, culpou a imprensa.
Nas críticas aos possíveis golpistas, associa a grande mídia como instrumento usado por eles: ''Não toleram que um operário tenha mudado um país, que uma mulher dê continuidade a esse projeto. São esses mesmos conservadores que junto com setores da grande mídia perderam nas urnas e tentam nos derrotar por outros meios''.
Mas então é mentira que a mulher de João Paulo Cunha tenha ido ao banco receber R$ 50 mil, dinheiro vindo diretamente de Marcos Valério, como está nos autos do processo no STF?
Depois disso, convenhamos, é preciso dar razão a Todorov. Os inimigos da democracia estão na nossa intimidade.


ARTIGOS 2012
mais artigos >>>

Uma previdência mais ajustada

Os estranhos ministros sem função

Meus sonhos e o Francesco trapalhão

O povo e os bons índices de Dilma

O crime de Caxias e a nossa impunidade

A preocupante greve baiana

Deixar a Grêcia morrer?

A tentação irresistível de censurar

Enfim, emoção nas eleições

Uma previdência mais ajustada

Uma previdência mais ajustada

E não se cassa mais ninguêm

A êtica do mercado da fraude

A oposição que não se ajuda

O fascínio de fazer jornal

O poeta, o processo e o mensalão

A perigosa jogada de Cristina

Meritocracia e bico, por que não?

Hora de pensar sem provincianismo

CPI ou apenas mais uma novela ?

Não pode ser ideia de Lula

O vexame de um acordo espúrio

Conversas nem tão republicanas

Armadilhas à espera do pesquisador

CPI ou mais uma novela? (II)

O incrível acordo paulista

E a êtica do Senado Federal?

O Rio dos meus encantos

Sai Demóstenes, entra o "mensalão"

Lições de um mestre do jornalismo

O STF e a opinião pública

Dúvidas e certezas do mensalão

A oratória e o destino do mensalão

Enquanto não existir cidadania

A censura interesseira

A esperada postura dos ministros

A democracia, de Todorov a Rui Falcão

O Caso Kliemann, meio sêculo depois

A denúncia de Marcos Valêrio

Escolha bem, com responsabilidade

Para não perder a esperança

O "mensalão" e as eleições municipais

Os protestos do povo argentino

O recado muito claro do Supremo

Lula, o fenômeno político

Obama, a vitória de um líder

Mia Couto, o conferencista

Os novos tempos do STF

Somos nós os mequetrefes

Limites do jornalismo e do poder

Para não esconder a história

O "mensalão" ainda não terminou

Dois nomes políticos