TEXTOS

Os protestos do povo argentino

18 de Outubro de 2012

Na quarta-feira da semana passada, 10 de outubro, a partir do meio-dia, grupos de homens e mulheres de todas as idades começaram a caminhar pelas ruas centrais de Buenos Aires em direção à histórica Plaza de Mayo.
Em silêncio, andavam sem pressa, os rostos a revelar a tristeza íntima de um povo que carrega dezenas de bandeiras e cartazes contra o governo de Cristina Kirchner.
Antes do final da tarde, começam os discursos de líderes sindicais e dirigentes de organismos da sociedade, para uma multidão calculada pelos jornais em 40 mil pessoas.
Todas as manifestações continham críticas severas ao governo federal, em defesa da democracia e dos direitos humanos, e o incentivo à luta contra organismos internacionais, ''porque el verdadero sujeto de la historia son los trabajadores''.
O protesto teve o condão de reunir forças que no passado estiveram em lados opostos, como ruralistas e caminhoneiros, CGT e CTA.
Juan Carlos Schmid, dirigente da CGT, reconheceu os desencontros antigos, para enaltecer a unidade de agora: os dois organismos vão seguir um programa de ação conjunta, ''porque no governo nacional há uma maioria de surdos''.
As televisões argentinas não puderam transmitir ao vivo o ápice do protesto, no início da noite, porque a presidente da República convocou uma cadeia nacional para, ironicamente, levar ao ar um ato convocado pelo governo, comemorativo ao terceiro aniversário da nova Lei de Medios, criada para ''democratizar'' a imprensa do país.

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Eu havia estado em Buenos Aires em abril deste ano. Seis meses depois, a crise em que está mergulhado o povo argentino é assustadora.
A mesma refeição de abril, num restaurante tradicional, está pelo menos 50% mais cara.
Roupa, comida, tudo está ficando inacessível para os portenhos.
Converse com o taxista, com o balconista, com o dono do antiquário, com quem quiser. E todos serão unânimes em condenar com palavras fortes a chefe da Nação.
A cidade está ainda mais degradada e agora é oficial: tome cuidado ao fazer um pagamento a um taxista ou a um garçon.
Fiquei espantado ao entrar numa casa de câmbio e receber, junto com as cédulas, a advertência contida num folheto vermelho, com a expressão ''Dangerous''. O texto, em três idiomas, diz: ''Por favor, tome cuidado porque com movimentos rápidos nos táxis, restaurantes, nas ruas e em outros lugares, as notas VERDADEIRAS podem ser trocadas por FALSAS''.
Assim mesmo, em maiúsculo.

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Só no futebol eles continuam os mesmos. Na sexta-feira, 12, dia do jogo com o Uruguai, pelas eliminatórias, os jornais publicaram enorme anúncio da Noblex, empresa
patrocinadora oficial da seleção argentina, com uma foto de Messi e a legenda:
''Hay selecciones que nacionalizan jugadores de otros paises. Nosotros, de outro planeta''.


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