TEXTOS

Lula, o fenômeno político

01 de Novombro de 2012

Ouvi, atento, tão logo concluída a apuração dos votos do primeiro turno, as manifestações dos dirigentes dos principais partidos políticos do país.
É fantástico. Todos, sem exceção, proclamaram vitória.
Ou porque elegeu maior número de vereadores; ou porque a soma de votos nas cidades de porte médio foi a maior; ou porque o partido tinha um representante em determinado município e agora são dois; ou porque não possuía nenhum prefeito e agora passou a ter um.
Vale o mesmo raciocínio e o mesmo critério para as eleições do segundo turno. Da fala do presidente do partido, ouve-se apenas uma palavra de regozijo: ganhamos.
Aqui se aplica à perfeição o ditado espanhol: ''nada es verdad nada es mentira, todo depende del cristal com que se mira.''
Todos concordam com uma verdade: o PSB do governador Eduardo Campos foi, disparado, o partido que mais cresceu nestas eleições.
E isso tem custo: ele está sendo, desde já, disputado como o parceiro favorito dos eventuais pretendentes ao Palácio do Panalto, em 2014. É a estrela da coroa.
Ao que tudo indica, vamos ter, até lá, muita movimentação de bastidores. É quase impossível fazer uma previsão, dois anos antes, sobre o que vai acontecer.
Três perguntas, a propósito:
1 - Aécio Neves será mesmo o candidato do PSDB, estranho partido sempre dividido na sua cúpula?
2 - Atual parceiro do governo federal, Eduardo Campos será candidato à presidência? Ou será candidato a vice? De quem? Dilma já disse que seu parceiro continuará sendo o peemedebista Michel Temmer?
3 - E Lula, voltará?

+++


A propósito de Lula: ele é mesmo um fenômeno. Ninguém o supera na moderna política brasileira.
Tem uma capacidade e um tirocínio político que faz lembrar a genialidade de Getúlio Vargas.
Ao lançar Fernando Haddad candidato à prefeitura de São Paulo, até mesmo os petistas se espantaram. O ex-ministro tinha, então, 3% de intenções de voto.
Pois Lula insistiu e fez coisas inimagináveis:
submeteu-se a uma ida vexatória à casa de Paulo Maluf, para garantir o apoio do execrado inimigo; empurrou goela abaixo da presidente da República o nome de Martha Suplicy para o ministério e exigiu de Dilma que ela fizesse campanha aberta para Haddad.
Não importa isso tudo, a esta altura.
Fernando Haddad é o novo fenômeno do quadro político brasileiro. Jovem, boa aparência, uma família também bonita, ele parece ser uma aposta garantida de Lula para futuros embates.
Aliás, é o segundo. Primeiro foi Dilma que Lula, aos poucos, foi conduzindo ao palanque da vitória.
É possível que, antevendo o futuro, Lula esteja, desde já, criando novas lideranças, sabendo do desgaste a que estão submetidos seus velhos parceiros do partido, todos tragados pela borrasca do ''mensalão''.
Lula é mesmo um prodígio. Nem a saúde o abala.


ARTIGOS 2012
mais artigos >>>

Uma previdência mais ajustada

Os estranhos ministros sem função

Meus sonhos e o Francesco trapalhão

O povo e os bons índices de Dilma

O crime de Caxias e a nossa impunidade

A preocupante greve baiana

Deixar a Grêcia morrer?

A tentação irresistível de censurar

Enfim, emoção nas eleições

Uma previdência mais ajustada

Uma previdência mais ajustada

E não se cassa mais ninguêm

A êtica do mercado da fraude

A oposição que não se ajuda

O fascínio de fazer jornal

O poeta, o processo e o mensalão

A perigosa jogada de Cristina

Meritocracia e bico, por que não?

Hora de pensar sem provincianismo

CPI ou apenas mais uma novela ?

Não pode ser ideia de Lula

O vexame de um acordo espúrio

Conversas nem tão republicanas

Armadilhas à espera do pesquisador

CPI ou mais uma novela? (II)

O incrível acordo paulista

E a êtica do Senado Federal?

O Rio dos meus encantos

Sai Demóstenes, entra o "mensalão"

Lições de um mestre do jornalismo

O STF e a opinião pública

Dúvidas e certezas do mensalão

A oratória e o destino do mensalão

Enquanto não existir cidadania

A censura interesseira

A esperada postura dos ministros

A democracia, de Todorov a Rui Falcão

O Caso Kliemann, meio sêculo depois

A denúncia de Marcos Valêrio

Escolha bem, com responsabilidade

Para não perder a esperança

O "mensalão" e as eleições municipais

Os protestos do povo argentino

O recado muito claro do Supremo

Lula, o fenômeno político

Obama, a vitória de um líder

Mia Couto, o conferencista

Os novos tempos do STF

Somos nós os mequetrefes

Limites do jornalismo e do poder

Para não esconder a história

O "mensalão" ainda não terminou

Dois nomes políticos