TEXTOS

Dois nomes políticos

27 de Dezembro de 2012

Sou pouco afeito a balanços e retrospectivas de fim de ano. Mas um passar de olhos no que ocorreu quanto ao quadro político é indispensável para se perguntar sobre o amanhã que nos espera.
2013 será um ano melhor?
Como não tenho faculdades de pitonisa, também não me arrisco a dar palpites.
Uma coisa é possível afirmar, sem temor de equívoco, porque não deixa de ser uma obviedade: Dilma Rousseff e Joaquim Barbosa continuarão a ser observados, admirados, criticados e comparados.
É um ano pré-eleitoral, o jogo começa a ser jogado sem preliminares, e não deve faltar assunto para jornalistas e cronistas da área ao longo dos próximos meses.
Dilma é candidata natural à reeleição. E ela o será, a menos que o ex-presidente Lula decida o contrário. Há muita gente dentro do partido que não concorda com posições da presidente, e esse conflito velado acentuou-se com o ''mensalão', especialmente depois que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, numa clara postura de governo, afirmou que as decisões do Supremo Tribunal Federal devem ser cumpridas, não questionadas.
Dilma Rousseff pode querer trilhar seu próprio caminho e optar por uma nova filiação partidária. A aprovação popular ao seu governo é um dado importante, que lhe dá suporte a outras pretensões. E os movimentos de seu ex-marido, Carlos Araújo, no caminho de retorno ao PDT, só aos ingênuos pode parecer uma iniciativa isolada e sem consequências.
Todos sabem o quanto os dois – Dilma e Araújo – são próximos, e não só por terem residências também próximas, na zona sul de Porto Alegre.

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O presidente do STF, por sua vez, ainda vai ter muito trabalho com a Ação Penal 470, a do ''mensalão''.
Publicado o acórdão com as punições dos condenados pelo Supremo – previsto para daqui a dois meses - chegará a hora dos recursos (embargos declaratórios e embargos infringentes).
Desde que não sejam ações meramente protelatórias, como advertiu já o ministro Joaquim Barbosa – e, se isso acontecer, a possibilidade de uma reversão sobre a prisão imediata dos réus é uma realidade – esses recursos da defesa podem até resultar numa alteração do tamanho das penas de alguns condenados.
Por isso, ele tem sido bastante cauteloso em suas decisões, desde que assumiu a presidência do STF.
Essa postura faz com que cresça o número de seus admiradores e muitos o apontam como um candidato potencial à presidência da República.
A meu juízo, é muito cedo para se afirmar essa perspectiva, ele mesmo a tem descartado.
Mas, se já possui cerca de 10% das intenções de voto dos brasileiros, como revelou uma das últimas pesquisas, nada é de estranhar.
Não há duvida: Dilma e Barbosa são os dois principais nomes, hoje, da política brasileira.

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Aos amigos e leitores, meus votos de Boas Festas.
Que estejamos juntos em 2013, para contemplar e refletir sobre o que nos aguarda.


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