TEXTOS

Todos por um planeta melhor

30 de Maio de 2013

Marina Silva, historiadora, ex-ministra do Meio Ambiente no Governo Lula, e Fernando Gabeira, jornalista, fundador do Partido Verde, patrocinaram um bom debate, esta semana, no Fronteiras do Pensamento.
Os dois são figuras internacionalmente reconhecidas como lideranças na questão da sustentabilidade ambiental, com todos os significados que isso representa: aquecimento global, produção de energia alternativas, conscientização coletiva, etc.
Marina Silva, extremamente bem articulada, centrou sua conferência no que ela definiu como ''crise civilizatória'', o que inclui, além da crise ambiental, as crises política, econômica, social e estética:
- Temos que mudar o modelo de desenvolvimento - resumiu.

+++ Como é natural, Marina e Gabeira tem pontos de vista comum sobre muitas questões. Pouco divergiram e foram aplaudidos com entusiasmo por uma plateia gigantesca quando fizeram críticas ao atual governo.
Marina lembrou as marcas de Fernando Henrique, com o combate à inflação, e de Lula, com a inclusão social, para dizer que Dilma Roussef não tem isso.
Ao contrário. Enquanto avançamos nos governos anteriores na questão da sustentabilidade, pesa sobre a atual presidente o retrocesso representado pelas mudanças no Código Florestal ''para anistiar quem desmatou ilegalmente''.
E recebeu aplausos ao defender a necessidade de ''uma agenda de longo prazo no curto prazo político'', em vez de ''uma agenda de curto prazo para alongar o prazo dos políticos''.
Gabeira fez o auditório rir quando referiu que a questão energética é vital para o futuro, lembrando que Barack Obama, consciente disso, convidou para seu ministro da Energia um Prêmio Nobel de Física, enquanto ''no Brasil o ministro de Energia é o Lobão''.

+++ Em dois momentos os conferencistas tiveram posições distintas sobre questões atuais. Perguntados sobre o pré-sal, se ele é problema ou solução, Gabeira manifestou preocupações com os perigos de desastres ecológicos no fundo do mar, afora os desconhecimentos tecnológicos e o custo brutal dessa exploração a tanta distância da superfície.
Marina foi mais cautelosa. Disse que o petróleo ainda é um mal necessário e condenou o plano decenal de energia do Brasil, com privilégio à exploração de energias fósseis, sem ''uma vírgula sobre energia solar, num país que tem a maior área de insolação do planeta''.

+++ De uma coisa ninguém discorda: cada um precisa fazer a sua parte no item sustentabilidade. De nada adianta os gaúchos apontarem o dedo para a Amazônia, como se a ferida fosse apenas o desmatamento da região, se não fizermos nós o dever de casa.
Foi um recado de Marina Silva ao Rio Grande que aplaude a retomada do aproveitamento do carvão mineral.
Os pequenos núcleos e cada cidade precisam adotar políticas próprias e estar engajados numa consciência coletiva em benefício de um planeta mais humano e mais seguro.