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Os sinais da recuperação portuguesa

31 de Julho de 2013

Algumas horas antes de o Papa Francisco rumar de volta a Roma, depois de uma semana de peregrinação por terras brasileiras, tendo como foco principal a juventude do mundo, desembarco em Portugal.
Já no voo direto Porto Alegre-Lisboa, um sucesso da TAP, com bom tratamento a bordo, começo a me familiarizar com as vicissitudes portuguesas e a repercussão de realidades brasileiras no Diário de Notícias e no Público.
O povo português ama futebol e um dos destaques é a conquista da Libertadores pelo Atlético Mineiro, ''a joia que faltava a Ronaldinho'', conforme a manchete do DN.
Já o Público realça a importância da presença do Papa na favela de Manguinhos e sua pregação por justiça social: não haverá paz se a periferia for abandonada.

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Temporada de férias na Europa, milhares de turistas europeus estão aqui, fugindo de praças tradicionais, como Egito, Tunísia e Turquia, sacudidas por crises políticas ameaçadoras da estabilidade.
Operadores turísticos estimam uma elevação de 20% no turismo em Portugal, este ano. O último dado oficial disponível revela que, em maio, houve um aumento de 15,5% de pernoites de estrangeiros em hotéis, em relação ao mesmo mês do ano passado. De outra parte, como reflexo da crise no país, o número de turistas portugueses que viaja está estagnado. No último fim de semana, as ruas, o metro, como se diz aqui do metrô, os restaurantes e parques estiveram ocupados por turistas.
Há razões de sobra para que alemães, ingleses, chineses e angolanos, em maior proporção, sem esquecer os brasileiros, façam opção por Portugal: o clima quente mas aprazível; as praias excelentes do Algarve; a boa comida e o bom vinho, além da simpatia da gente da terra.

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O turismo não é capaz, por si só, de resolver o imenso problema do estrangulamento da economia de Portugal, mas acaba por ser uma importante contribuição para amenizá-lo.
O governo continua a negociar e, principalmente, prossegue submetendo-se às exigências da troika (Banco Central Europeu, FMI e Comissão Europeia) a um custo extremamente elevado para a população: altos índices de desemprego; perda de direitos de trabalhadores da iniciativa privada e dos funcionários públicos; cortes nos investimentos e deterioração da qualidade dos serviços prestados.
As autoridades asseguram, com base em seus números oficiais, que o pior já passou e anteveem para o primeiro semestre de 2014 uma lenta retomada do crescimento da economia.
Meu amigo João Graça, engenheiro que conheceu o Brasil a partir da cidade de Rio Grande, à época em que prestava serviços à Marinha portuguesa, concorda: ele vê sinais, sim, ainda que tímidos, de melhoras na economia.

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Tempo de férias, também com direito a elas, perco eu com a distância dos leitores durante o mês de agosto. Até breve.