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O furacão Marina/Campos

10 de Outubro de 2013

Estavam lentas e um tanto modorrentas as poucas articulações políticas para a sucessão presidencial de 2014.
Mesmo com a queda nos índices de aprovação da presidente Dilma logo depois dos protestos brasileiros de junho, ela mantinha-se à frente das intenções de voto, seguida, à distância, pela ordem, por Marina Silva, Aécio Neves e Eduardo Campos, com pequenas variações, conforme a pesquisa e o instituto que a realizava.
E com uma recuperação da imagem da presidente, no último levantamento, a perspectiva de decisão do pleito já no primeiro turno era uma possibilidade bem concreta.


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Eis que surge, então, o Superior Tribunal Eleitoral e reconhece dois novos partidos, o inexpressivo PROS e o não desprezível Solidariedade, atrelado à Força Sindical. E deixa de validar o Rede, da ex-ministra Marina Silva, detentora de 20 milhões de votos no último pleito.
Isso - o não reconhecimento da Rede - ocorreu na sexta-feira e, na manhã de sábado, dia 5 de outubro, a exato um ano da próxima eleição, surge o fato político novo, bombástico, não previsto pelos mais acurados analistas e cientistas políticos.
Em poucas horas articulou-se uma jogada que provoca estupor no PT e no PSDB, teoricamente os dois mais expressivos grupos, detentores do governo nos últimos 20 anos.
Marina Silva e Eduardo Campos unem-se para se revelar uma terceira via concreta entre a polarização de petistas e tucanos.

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Há muitas dúvidas e incertezas, ainda, sobre os reais efeitos dessa aliança em termos de votos, mas é certo que a perspectiva de um segundo turno na eleição do próximo ano tornou-se bem mais real.
Marina vai transferir seu enorme potencial para Eduardo Campos? Isso não é fácil de acontecer, como tantas vezes já se viu. Ou será ela, ao final, quem encabeçará essa chapa?
Quem vai se somar aos dois outros principais concorrentes, Dilma e Aécio? Sem contar que José Serra continua a insistir em ser candidato pelo PSDB, assim como também parece certo que o ex-presidente Lula entrará em campo se a reeleição de Dilma, por qualquer razão, correr riscos.
Há, de outra parte, a realidade política de cada Estado e, no Rio Grande, com outro episódio significativo - o ingresso do excelente comunicador Lasier Martins na disputa por uma vaga no Senado - as coisas embaralharam-se ainda mais.
Quem entra no páreo, na disputa já delineada entre o governador Tarso Genro e a senadora Ana Amélia Lemos? O ex-prefeito Ivo Sartori, do PMDB estará com o PDT de Lasier? E Vieira da Cunha? E Beto Albuquerque, cacifado com a aliança nacional de Marina e Campos?

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Hoje vai ao ar o programa partidário do PSB e sabe-se que Marina Silva e Eduardo Campos se emocionaram ao assistir a versão final do que foi editado.
Eles vão conseguir emocionar também o povo e os eleitores?