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A pesquisa e a realidade política

05 de Dezembro de 2013

A pesquisa de intenção de voto para a presidência da República, divulgada no último fim de semana pelo Datafolha mostra que nada mudou: se os candidatos forem esses que estão anunciados, e as eleições fossem hoje, Dilma Rousseff seria reeleita no primeiro turno.
Só a presença de Marina Silva como candidata teria o dom de fazer com que a eleição do próximo ano fosse para um segundo turno.
Isso mostra que o governo e seus aliados estavam com a estratégia correta ao criar entraves para o registro do partido de Marina, o Rede Sustentabilidade. Como acabou acontecendo.

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Dilma cresceu cinco pontos (de 42 para 47%) em relação à pesquisa anterior, do início de outubro, enquanto Aécio Neves e Eduardo Campos caíram dois (de 21 para 19%) e quatro (de 15 para 11%), respectivamente.
Acrescente-se que, em relação a Campos, sua aliança com Marina não trouxe os resultados esperados, ela não transfere seu capital de votos.
Nada parece abalar a confiança do eleitor na atual presidente, pelo menos em relação aos opositores que estão hoje no páreo.
Nem a prisão de mensaleiros, sobre os quais Dilma mantém um conveniente silêncio, nem os maus sinais, vindos do setor econômico, parecem preocupar.

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Esses resultados refletem, acima de tudo, uma realidade: não há oposição ao governo, ninguém foi capaz de produzir um discurso que signifique um novo caminho, para atender aos reclamos daqueles que protestaram nas ruas em junho.
Nocauteado e aturdido, num primeiro momento, o governo reagiu e, em relação à saúde, implementou o programa Mais Médicos, com a duvidosa forma de contratação de profissionais cubanos, medida que, no entanto, veio ao encontro de populações carentes e desassistidas.
Já se diz, aliás, que esse será o grande trunfo da campanha de Dilma no próximo ano, porque se trata de uma política de governo que tem a sua inegável marca.

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Da pesquisa, resultou um fio de esperança para os opositores de Dilma: a expectativa da população por políticas que signifiquem mudanças.
O sinal é um tanto contraditório mas é nele que se apóiam Aécio Neves e Eduardo Campos.
Dois terços dos eleitores pesquisados preferem que ''a maior parte das ações do próximo presidente seja diferente'' daquelas adotadas por Dilma. Apenas 28% querem a continuidade das ações atuais.
Aécio e Campos unificaram os discursos em relação a isso, para dizer que o resultado da pesquisa que verdadeiramente interessa é esse e que nunca se viu vontade nessas proporções em eleições anteriores.
Resta perguntar se a oposição terá capacidade de apresentar um projeto e um discurso capazes de atender a essa expectativa apontada pela pesquisa.
E é bom não esquecer outro dado: Lula venceria a eleição no primeiro turno com ainda maior folga. Seus índices oscilam entre 52 e 56%.
O homem é mesmo um fenômeno político, não?