TEXTOS

Obama e seus novos desafios

24 de Janeiro de 2013

Não era mais novidade. Faltou emoção.
Assim jornalistas americanos explicam porque apenas 600 mil pessoas, em sua maioria mulheres e negros, assistiram à posse de Barack Obama, nesta segunda-feira, em Washington. Um número reduzido (exato um terço) se comparado à multidão que, em 2009, foi ao mesmo Capitólio, para ver de perto a chegada ao poder do primeiro negro da história da Presidência dos Estados Unidos.
Quatro anos atrás, Obama era uma expectativa e uma esperança. Hoje, ele é uma certeza, um homem sereno e mais experiente, com os cabelos esbranquiçados pelos problemas enormes que enfrentou.
Escrevi neste espaço, logo após sua primeira vitória, em novembro de 2008:
''O desafio é gigantesco e sua responsabilidade incomum. Assume a presidência com uma crise econômica só comparada a de 1929; vai comandar um país com duas guerras pela frente e um enorme descrédito interno e externo, graças ao desastrado George W. Bush.''
Muitos apostavam que os pilares da economia norte-americana não seriam suficientes para resistir à desestruturação da economia e aos seus efeitos. Também escrevi, naquela ocasião: ''Somam milhares aqueles que perderam seus empregos, suas casas, suas reservas e, em muitos casos, a esperança''.
Obama pode dizer, neste 21 de janeiro, que superou aqueles tempos:
''Esta geração de americanos foi testada por crises que fortaleceram nossa determinação e comprovaram nossa resiliência. Uma década de guerra agora está chegando ao fim. Uma recuperação econômica começou. As possibilidades da América são infinitas, pois nós possuímos todas as qualidades que este mundo sem fronteiras requer: juventude e garra; diversidade e abertura; capacidade ilimitada de encarar riscos e um dom de reinvenção''.
Obama não conseguiu fazer tudo o que prometeu. Estancou o desastre econômico e obteve uma vitória maiúscula contra o terror, com a morte de Osama Bin Laden, mas continua a existir a mancha da prisão de Guantánamo, em Cuba, e ele vai enfrentar novas dificuldades no Congresso americano para aprovar projetos essenciais, como a urgente necessidade de aumentar o teto da dívida pública para evitar nova recessão econômica. A maioria republicana na Câmara de Representantes não dá sinais de que será mais partícipe e colaborativa. Bem ao contrário.
Do discurso de Obama, ressalta a evidência de que ele vai enfrentar com energia alguns problemas que não contam com a aprovação integral dos americanos: reforma fiscal, o que significa aumento de impostos para os mais ricos; luta contra o aquecimento global como política de Estado; novas leis de imigração; nova legislação a favor das mulheres e de minorias, entre elas os gays; e, quem sabe, o mais difícil, um maior rigor e novo regulamento para o comércio de armas.
Não é tarefa fácil. E é do seu êxito ou não nesses enfrentamentos que ele consolidará a liderança de hoje.