TEXTOS

A ação mesquinha dos radicais

21 de Março de 2013

Nada deveria me surpreender, passado tanto tempo de observação da atividade política do país e, neste caso, também das Américas.
Iniciei no jornalismo como repórter do Diário de Notícias, em Porto Alegre, no mês de agosto de 1961, às vésperas da histórica Campanha da Legalidade comandada pelo governador Leonel Brizola.
E logo me vi, muito jovem, nos porões do Palácio Piratini, ao lado de grandes nomes da imprensa brasileira, na cobertura diuturna dos acontecimentos que mobilizaram o Estado e o país, naqueles dias.
Brizola ganhou a batalha e, graças a isso, João Goulart foi empossado na Presidência da República, depois da renúncia de Jânio Quadros.
Em 1964, Jango caiu, os militares assumiram o poder.
Depois de um longo tempo de ditadura, vieram as eleições diretas, a anistia, Collor assumiu e também não demorou a cair, por sua incapacidade de bem entender a força do Congresso e as artimanhas dos parlamentares.
Foi implantado o Plano Real e, graças a seu êxito, Fernando Henrique Cardoso foi eleito Presidente. E o então jovem Partido dos Trabalhadores chegou ao poder com Lula, sucedido por Dilma Rousseff.
Meio século de história. E a efervescência dos bastidores políticos nunca deixou de existir, mesmo em períodos de aparente calmaria.
Isso vale para grande parte dos países do continente, cada um com suas eleições, golpes e crises institucionais, momentos tranquilos e tempos de guerra.
Homens e mulheres, de esquerda e de direita, chegaram aos governos, por eleições ou movimentos de rebeldia, alicerçados em seus princípios e ideias, ora serenos, outras tantas vezes radicais.
Assisti a tudo isso com admiração por posturas políticas exemplares, e com lamento pelos destemperos dos despreparados.
Mas nunca, que me recorde, a política chegou a níveis de tamanha baixaria como agora.
Nunca houve um tempo de tanto radicalismo nas posturas pessoais dos militantes, tantas manifestações de ódio, tanta mesquinhez de argumentação, tantas expressões inadequadas.
Falo especialmente do ódio que circula nas redes sociais, por mensagens de autoria nem sempre identificada e que, por vias travessas, invadem nossos computadores.
Três figuras, entre outros, são alvo principal dos que de um lado os endeusam e de outro os demonizam: o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chaves e a blogueira cubana Yaoni Sánchez.
Cada um tem o direito de alinhar-se politicamente a favor ou contra determinada personalidade, a partir de suas convicções.
Isso é uma coisa. Você defende ideais, princípios, ambições. E pode discuti-las com aqueles que pensam de maneira diversa. Mas daí a desqualificar os opositores, sem suporte em verdades, sem provas, vai enorme distância.
Além de ser uma atitude mesquinha, é covarde.